
"Assim, moda, [é um] fenômeno social ou cultural, mais ou menos coercitivo, que consiste na mudança periódica de estilo, e cuja vitalidade provém da necessidade de conquistar ou manter, por algum tempo, determinada posição social."
Gilberto Freyre, Modos de homem, modas de mulher (Record: São Paulo, 2002), p. 17.
Caminhando sempre no sentido de justapor os papeis sociais de classe, representado de um lado pelo poder do Senhor do Engenho, e de outro pela submissão da Senhora, a moda colonial caminhou num sentido de dar vazão a esse poder. Homens e mulheres, numa ‘sincronia disforme’, confirmavam seu papel sexual e político, dentro da tessitura social através de trajes que lhes conferissem a essência de sua categoria.
“Homens e mulheres expõem modelos de roupa que confirmam feminilidade e virilidade. De um lado os caracteres, da fêmea, do outro, os caracteres da fêmea; do outro, os caracteres do macho; ambos guarnecidos do invólucro da beleza." Fátima Quintas, Sexo a moda Patriarcal (Global: São Paulo, 2008), p. 97. E assim, a indumentária caminhou como um retrato da escala social vigente no período, exacerbando poderes, posses, e arrogâncias nos idos do Brasil - Colônia.
O imaginário do homem brasileiro, desde sempre foi povoado por elementos que por si, falava de uma sedução, um don juanismo nato: clima tropical, roupas leves, falas doces, corpos nus, conferiam uma circunstancia perfeita para a auto-afirmação e virilidade e claro uma precoce voluptuosidade. Os meninos de onze, doze anos eram iniciados sexualmente pelas escravas. Chegar à idade adulta, sem nenhuma experiência sexual na bagagem era um atentado a masculinidade. Ao contrário das mulheres, que deviam se conservar virgens até o casamento, os meninos desde cedo, eram iniciados na sexualidade. Chegando a idade adulta, essa busca sem limites pelo sexo farto e fácil, era comumente saciado com suas escravas mais bonitas.
“A precoce voluptuosidade (...) faz de todo brasileiro um Don Juan não vem do contágio ou sangue da raça inferior ‘mas do sistema econômico e social da nossa formação; e um pouco, talvez, do clima do ar mole, grosso, morno, (...)’”. Ibid., p. 134.
Segundo Quintas, dentro do conceito estético de auto-afirmação da virilidade e/ou poder no grupo: “O sexo sexualiza-se à medida que manifesta com sofisticação em gênero culturalizado, produto de um complexo de normas e preceitos concordes ao anseio do grupo." p. 137.

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