
Uma referência na literatura do século XIX, o livro Manual do Dândi – A vida com estilo (R$ 34,00, Editora Autêntica), com tradução de Tomaz Tadeu, reúne três textos fundamentais sobre o dandismo: -O dandismo_, de Charles Baudelaire; Tratado da vida elegante, de Honoré de Balzac; e O dandismo e George Brummell, de Jules Barbey D’Aurevilly. Lançado neste ano pela Editora Autêntica, o livro faz parte de uma coleção chamada MIMO, composta pelas obras: Antropologia Ciborgue - As vertigens do pós-humano; Meu coração desnudado e O Casaco de Marx - Roupas, memória, dor.
"O dandismo", de Charles Bauderlaire, foi publicado pela primeira vez novembro-dezembro de 1963 no jornal Francês Le Figaro. O Tratado da vida elegante, publicado em fragmentos, na revista La Mode, entre 2 de outubro de 1830 e por último O Dandismo e George Brummel foi publicadopela primeira vez em 1845, em tiragem reduzida.
Acredito que para quem já tenha um certo conhecimento sobre o dandismo, esse livro é um must have, e para quem não tem, é um bom motivo para conhecer, já que não existia nenhuma edição semelhante publicada até então no Brasil. Mesmo se tratando de obras que foram escritas a quase dois séculos, são de extrema valia para quem aprecia história dos costumes, principalmente no que tange os hábitos dos homens na França do século XIX.
Algo mutio interessante, é que o tradutor teve o cuidado de colocar ao final do livro notas com referências a citações no livro, além disso o livro possui um índice onomástico com um breviário de todas as pessoas citadas no livro (data de nascimento, profissão e afins) e um breve bibliografia de obras que tratam sobre o tema, inclusive sites e grupos de pesquisa, o que facilita bastante para quem quiser se aprofundar no tema.
"Para Baudelaire, o dândi é “o homem rico, dedicado ao ócio e que, mesmo aparentando indiferença, não tem outra ocupação que a de correr no encalço da felicidade; o homem criado no luxo e acostumado, desde a juventude, a ser obedecido; aquele, enfim, que não tem outra profissão que não a da elegância, gozará sempre, em todas as épocas, de uma fisionomia diferente, inteiramente à parte”. George Bryan Brummell (1778-1840) é considerado pelos escritores o primeiro dândi, um ícone da elegância em sua época. Era conhecido como “Beau Brummell”. “Beau”, além de significar belo, era sinônimo de dândi na França."(Do livro)
Ficha Técnica do Livro
Páginas: 224
Formato: 13 x 21 cm
Acabamento: brochura
Editora: Autêntica
ISBN: 9788575263822
Coleções: Mimo
Edição: 1ª
Tradução: Tomaz Tadeu
Que é, pois, essa paixão que, transformada em doutrina, fez adeptos poderosos, essa instituição não escrita que formou uma casta tão altiva? É, antes de tudo, a necessidade ardente de se prover, dentro dos limites exteriores das conveniências, de uma certa originalidade. É uma espécie de culto de si mesmo, que pode sobreviver à busca da felicidade a ser encontrada em outrem, na mulher, por exemplo; que pode sobreviver até mesmo a tudo aquilo que se chama de ilusão. É o prazer de surpreender e a satisfação orgulhosa de jamais se surpreender.
Charles Baudelaire
O caráter de beleza do dândi consiste sobretudo no ar frio que provém da inabalável resolução de não se deixar emocionar; dir-se-ia que se trata de um fogo latente que se deixa adivinhar - que poderia vir a brilhar, mas não quer. É o que se expressa com perfeição nessas imagens.

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