Kate Moss, fotografada por Corinne Day
Revolução Xadrez
Modelos excessivamente magras, cabelos sebentos, aparência apática, era assim que era apresentando o novo ideal para a moda, inspiração essa, que veio da realidade junkie de obras como o livro Tulsa, dos anos 60, do fotografo Larry Clark, e do fotógrafo, Nan Goldin, este último já nos anos 80. O Heroin Chic, estilo definido na aparência de quem usa heroína, a partir de 1994, ganhou a cena, na moda, e principalmente no comportamento dos jovens. Após m período de maturação, no movimento Grunge, ganhou espaço nas principais publicações especializadas, como i-D e The Face. Hoje, soa estranho, falar disso, assim tão descaradamente, cultuar o estilo, sem a crítica costumeira ao uso de drogas. Mas na época as críticas também vieram, e como vieram. Hoje, quase duas décadas depois, a mídia vive num limbo, que a faz esquecer a realidade, e se deixa levar pela boas maneiras, que funcionam bastante nos manuais, mas falta um pouco de empirismo.
Histórica capa da The Face, com a modleo Kate Moss
Década perdida
A música como sempre foi o pivo, para o grande movimento da década perdida, os anos 90. Kurt Colbain, Courtney Love e Perry Farrell, foram responsáveis por trazer a moda, essa estética, que virou assunto de pauta. E logo, na diáspora, o grunge incorporou-se a industria cultural, e aos poucos tudo foi perdendo a graça.
O próprio Kurt não conseguiu conviver com tanta exposição à mídia o que, junto com o excesso de drogas, acabou levando-o ao suicídio em 1994. Começava o declínio do grunge. (Folhateen)Kurt Cobain foi encontrado morto na estufa de sua casa, em Seattle, em 8 de abril de 1994, por um eletricista. A causa da morte foi um tiro, disparado pelo próprio cantor. Ao lado do corpo, uma carta de despedida. Se estivesse vivo, o intérprete do estrondoso sucesso "Smells Like Teen Spirit" estaria hoje com 41 anos de idade. (Rolling Stones).
fotografia, parte do livro Tulsa, do fotógrafo ClarkSeu legado foi deixado, e falando do papel da industrial cultural nisso tudo, podemos ver, que hoje, o estilo foi remixado, e está bem difundido nas novas gerações, pelos movimentos indie, e emos, exemplificando. Nas ruas o uso imperativo do All Star, ainda continua como peça-chave, para o desejo de (falsa) modernidade. Esquecendo-se assim, de que tudo não passa de rapsódias, de tudo que já foi inventado.
Perry Farrell, um dos ícones do movimento
No Caderno Mais! (artigo "Dizem que Sou louco"), da Folha de São Paulo (20/07/2008). O psicanalista inglês, Adam Phillips, fala sobre sua rescente obra, "Louco Para Ser Normal". Na obra ela disserta sobre como a sanidade se tornou um valor negativo para a sociedade contemporânea. Disso tudo podemos tirar que esses 20 anos de grunge, foi uma escola que acabou dando um tiro no seu próprio pé. O elogio a loucura, soou como muita rasgação da realidade, e a nova geração, distante desse contexto, pegando apenas a ponta do iceberg, não entendeu direito, a que veio o movimento, e produziu o que vemos hoje, patchwrok de musica, que não dizem nada, e que buscam um identidade perdida, talvez esta tenha ido junto com todos os heróis (que morreram de overdose).
o grunge de Mary-Kate and Ashley Olsen
A frente da Dior Homme, Hedi Slimane, revolucionou a estética do guarda roupa masculino, imperando o uso de peças justas, skinny, e modelos macérrimos, e o fim dos músculos na passarela. Como podemos ver em seus editoriais. Veja aqui!
O novo homem: O crédito - ou a culpa - pode ser atribuído a Hedi Slimane. O tipo de homem que Slimane promovia ao chegar à Dior Homme, alguns anos atrás (ele já deixou a empresa), era magro como um palito, e as roupas que ele criava para esses homens eram igualmente enxutas.
(Terra, 10 de fevereiro de 2008).
visual emo
indies
Kate Moss: Um mito não superado
THE Daily Mirror today reveals shocking pictures of supermodel Kate Moss snorting a fat line of cocaine during a debauched drugs and drink session with junkie lover Pete Doherty.
The Daily Mirror - 15/09/2005
capa do tablóide inglês> The Daily Mirror
Imagem oficial dos anos 90, festejada pela sua loucura, que ainda remete ao mito heroin chic, do início dos anos 90, Kate Moss, mesmo após quase 20 anos de carreira, em um universo muito visceral, consegue manter-se no mainstream. Seja pelos editoriais, nas principais revistas de moda do mundo, ou pelas infinitas campanhas que a modelo-mito, vem fazendo, ao longo dos anos.
O começo do fim: Será?
Em setembro de 2006, só para citar um episódio, a modelo foi flagrada pelo tablóide inglês "Daily Mirror", cheirando cocaína em um estúdio de música de Londres. Kate, foi achincalhada por toda mídia, e perdeu todos seus contratos com grandes grifes, que possuía, na época, entre elas Chanel, H&M, Burberry, Momentâneamente, pareceu ser este, o fim da carreira da supermodelo.
"Nós amamos você, Kate". Com essa frase escrita na sua camiseta, que o estilista britânico Alexander McQueen, entrou na passarela, após seu desfile na coleção primavera-verão 2006 em Paris. Ele foi duramente criticado, pois supostamente estaria dando aval para a atitude da modelo. Diferente do início da década passada, hoje, o uso desse tipo de substância é muito mais cerceado pela mídia, governo e sociedade cívil, dando um caráter mais hediondo, áqueles que fazem o uso. Principalmente quando se trata de uma figura pública, e infinitamente influênciável, como a modelo. A capa para a W, em novembro de 2005, foi a primeira publicação a dar espaço a Kate, após o episódio. Sendo muito recente o episódio, muitos, entenderam mais uma vez, como um respaldo da moda a "bad girl". A muito, a moda é tida como um ambiente, que só faz proliferar maus hábitos: Anorexia, drogas, consumismo, e afins.
a capa da discórdia: W magazine
Esse período no limbo, não durou mais que 8 meses, pouco tempo, para quem iniciou a carreira em 1988, aos 14 anos, ao ser descoberta, no aeroporto JFK, em nova York, por Sarah Douglas (a fundadora da agência de modelos britânica Storm).
No ano de 2006, Kate, como uma Fenix, recuperou seu prestígio, e estrelou campanhas nas principais grifes, além de pegar quase todas as capas das publicações especializadas que improtam no mundo. Kate parece ser mesmo inabalável, a dispeito de todos os escândalos que permeia sua longa carreira, ela continua agradando e vendendo o produto como nunca. Recentemente lançou mais uma coleção para a Topshop. Pela infinidade de comunidades que a modelo possui no Orkut (78) , tem-se uma noção de seu poder. No Google, digitando "Kate Moss", encontra-se cerca de 16.500.000 citações. Só para efeito de comparação "Gisele Bündchen", possui aproximadamente 6.130.000 citações.
Enfim, podemos dizer que a moda 90, e a estética heroin chic/grunge, não seria exatamente a mesma coisa sem a influência de Kate, e querendo ou não, ela cravou sua marca, seja pelo seu estilo excêntrico, que é exacerbado a cada novo escândalo, ou pelo seu "marketing share", no concorrido mundo da moda.







Nenhum comentário:
Postar um comentário